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  • As Aventuras de Vitor na Cidade Oculta



    O espírito aventureiro de Vitor lhe acompanhara desde sua infância, sua mãe adorava contar as histórias de quando seu filho era criança, a maneira como ele se pendurava nas árvores e simulava ser um grande explorador. O garoto nasceu e cresceu em Hergus, um pequeno vilarejo do reino Mungar, que era administrado a mãos de ferro pelo perverso François.

    Ele assumiu o trono cerca de cinquenta anos atrás, através da força bruta, acompanhado por centenas de homens armados até os dentes. Desde então sua palavra era a única lei válida naquelas terras, e quem ousasse desobedecer alguma de suas ordens era cruelmente punido. O respeito daquele povo François nunca teria, mas possuía a certeza de que todos o temiam, e para ele isso era suficiente.

    No decorrer de seu reinado muitas coisas mudaram, principalmente as escolas, que foram completamente adaptadas às suas vontades pessoais. Apenas homens de linhagem real poderiam frequentá-las e todos os livros que contavam a história de Mungar antes de sua chegada foram amontoados junto com alguns outros considerados impróprios e queimados.

    Era conveniente à François saber algumas das informações contidas nesses livros, e por esse motivo, alguns dos exemplares proibidos foram escondidos pelo rei em seu palácio. O que o tirano nem podia imaginar era que, há algum tempo, seu tesouro não estava mais seguro.

    Tudo aconteceu quando Vitor tinha quinze anos. Nos arredores do palácio, acontecia a festa de comemoração anual do reinado de François, data na qual todos eram obrigados a sair de suas casas para prestar louvores ao rei. Sacrifício de animais, ouro, boa comida, tecidos finos, os habitantes de Mungar faziam de tudo para agradar o rei e não correr o risco de se indispor com o mesmo.
    Vitor se distanciou de seus amigos para comprar alguns doces e foi então que escutou dois conselheiros de François conversando sobre a possibilidade de retirar os livros proibidos da sala principal do palácio e coloca-los em algum outro cômodo mais seguro.
    __ Se os livros proibidos ainda existem eles serão meus.__ pensou Vitor.
    O garoto aproveitou que todos estavam distraídos com a comemoração nos lados de fora do palácio, para entrar nos aposentos reais e roubar os livros. Desde essa noite, não há um só dia que ele não separe a maior parte do seu tempo para os estudos baseados na literatura proibida.

    Havia livros de história, matemática, técnicas de guerra e alguns outros, mas o preferido de Vitor era “Artes Ocultas e Criaturas Mágicas”. As primeiras páginas falavam sobre magias e feitiços. Desde mágicas para fabricar armas infinitamente poderosas até poções do amor. Já a segunda parte falava de todo o tipo de criaturas fantásticas que um dia habitaram Mungar. Fadas, que eram belíssimas moças de pele clara e asas coloridas, e tinham como função cuidar de toda a vegetação que adornava o reino. Ogros, seres grandes e gordos, muito mal encarados e de caráter duvidoso. Salvo uma ou outra exceção, eram responsáveis pela maioria dos serviços “sujos” realizados no reino. Porém, os preferidos de Vitor eram os elfos, criaturas com cerca de um metro de altura, orelhas pontudas, olhos esbugalhados e pele áspera. A maioria deles cozinhava e praticava artesanato, e o livro os descrevia como seres simpáticos e muito amigáveis.

    Vitor sempre desejou conhecer alguns desses seres mágicos, mas hoje em dia nem cogitava essa possibilidade. Ele sabia que um dos primeiros atos de François como rei havia sido banir todas as criaturas do reino. A maioria deles foi morta da maneira mais brutal que se possa imaginar e rezava a lenda, o restante deles, vivia em uma aldeia afastada de Mungar.

    Certa tarde Vitor saiu para praticar arco e flecha na floresta, esse era seu esporte favorito, e por mais que isso parecesse um pouco perigoso ás vezes, ele preferia ir sozinho, a fim de se concentrar um pouco mais. Sempre que caminhava pela floresta o garoto se distraía admirando toda aquela paisagem, e em um desses momentos de distração ele acabou tropeçando em um velho tronco de árvore e bateu a cabeça em uma grande pedra. Estava desmaiado.

    ***

    Vitor sentiu uma forte dor na cabeça, e com os olhos entreabertos demorou algum tempo para se lembrar do que tinha acontecido, porém, quando se recordou de tudo o susto foi grande. Ele já não estava no local do acidente. Estava deitado em uma esteira de palha, dentro de uma pequena casa com paredes de pedra, e pela fresta entre seus olhos viu um ser passar na sua frente carregando algumas ataduras. Tocou em sua cabeça e percebeu que um curativo havia sido feito em seu ferimento. Tentou se desacreditar da verdade, mas não tinha mais dúvidas, estava na casa de um elfo.

    Vitor se sentiu muito empolgado, queria conversar com aquele elfo, saber sua história, seus costumes, e quando fez menção de sair da esteira alguém bateu na porta. O pequeno elfo correu assustado para destravar a porta, e quando esta foi aberta, o garoto pôde ver a figura do que ele imaginava ser um ogro.
    __ Se ogros realmente são da maneira que meus livros contam, acho melhor sair daqui antes que ele me veja.__ Vitor pensou consigo mesmo.

    Ele encontrou uma pequena passagem em uma das paredes e em poucos minutos já estava do lado de fora. Chegando lá, Vitor ficou paralisado. Tonto com a enorme beleza daquele lugar. Árvores gigantescas com casas construídas em seus topos e luzes espalhadas por todos os lados. Era como se a magia estivesse pairando no ar.

    O garoto respirou fundo. Ainda não conseguia acreditar que estava no lugar com o qual sonhara uma vida toda. Tinha a certeza de que queria passar um longo tempo ali, conhecendo mais sobre aquelas criaturas, nem que para isso tivesse que enfrentar o próprio François. Naquele momento o medo não importava. A sede de conhecimento era maior do que qualquer outra coisa.
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