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    Era uma vez uma mulher neurótica chamada Eliana. Ela levava uma vida como qualquer outra pessoa e até seria um individuo completamente normal se não fosse a sua dose excessiva de neuras. Não que Eliana fosse louca (por favor, não a chamem assim em sua presença se tiverem algum amor à vida), o que acontecia é que diante de algumas situações ela tinha reações de certa forma anormais. Às vezes as reações eram desproporcionais (muito duradouras ou com uma intensidade enorme) e até aconteciam sem nenhuma causa aparente. A pior parte era a série de comportamentos que essa neurose desencadeava: ansiedade, depressão, fobia, histeria e estresse, e geralmente tudo isso acontecia de uma vez só. Quem sofria eram os pais, o namorado, atendentes de supermercado, manobristas, entre outros. Qualquer um que estivesse no caminho sofria as consequências.
                    
    Numa tarde qualquer Eliana estava sozinha em casa, sentada no sofá sem nada para fazer. Decidiu ligar para seu namorado Wagner, não tinha nada importante para dizer, só queria escutar a voz e saber como estava sendo o seu dia. Pegou seu celular e ligou, mas chamou até cair na caixa de mensagens. Eliana suou frio e sentiu o nervosismo percorrer seu corpo, tentou se manter calma e ligou novamente. Nenhuma resposta. Continuou ligando, dez vezes seguidas para ser mais exata, e em todas obteve o mesmo resultado: caixa de mensagens. No fim da décima primeira ligação Eliana já estava completamente descontrolada, andava sem ruma pela casa, o sangue subiu à cabeça e já não conseguia se concentrar em mais nada, muito menos se acalmar. Como sempre, começou a imaginar o pior.
                    
    Wagner tinha uma amante, essa era a única explicação. A outra com certeza era alta, loira e magra, parecida com as modelos da Victoria’s Secret. Agora os dois estavam num motel, o mais caro da cidade, no qual nem mesmo Eliana havia sido levada, o celular dele tocou enquanto os dois transavam, Wagner olhou e disse “É a chata da minha namorada.” e provavelmente a amante respondeu “Não atende amor, temos algo muito melhor para fazer aqui.” e depois disso os dois gargalharam juntos enquanto tomavam um gole do melhor champagne do lugar.
                    
    Mas havia outra opção. Wagner sempre fora tão inconsequente ao volante, talvez numa dessas brincadeiras de acelerar o carro o máximo que conseguisse ele tenha sofrido um grave acidente, se chocado com algum motoqueiro ou pior, com um caminhão! Meu Deus, Eliana nem conseguia imaginar tamanha desgraça. Agora o seu futuro marido estava caído em alguma rua, seu corpo ensanguentado sendo observado por dezenas de curiosos enquanto esperava por ajuda. Seu futuro marido estava lutando pela vida enquanto ela ficava em casa, roendo as unhas e sugerindo que ele tinha uma amante. “Eu realmente sou uma pessoa horrível.”, ela pensou consigo mesma.
                    
    Eliana não sabia se percorria todos os motéis da cidade para pegar Wagner no flagra com sua amante gostosa ou se ligava para os hospitais em busca de seu amado ferido. Enquanto Eliana se perdia na sua confusa e criativa imaginação o telefone fixo da casa tocou, ela não queria saber quem estava do outro lado da linha, mas a pessoa permanecia insistente e em meio ao seu dilema ela resolveu atender, nem que fosse para despachar logo esse alguém que incomodava em um momento tão inoportuno.
                    
    __ ALÔ!__ disse Eliana num tom de voz ríspido.
                    
    __ Olá querida, estou ligando para avisar que meu celular ficou trancado na sala de reuniões então nem adianta ligar nele. Se precisar falar comigo ligue no número da minha sala.
                    
    Ligar na empresa, como Eliana não tinha pensado nisso.
                    
    __ Eu tentei te ligar agora a pouco.
                    
    __ Oh, mas você está bem não é mesmo? Não ficou imaginando o pior como sempre acontece?
                    
    __ Estou muito bem, você sabe que essa história de bancar a neurótica não é comigo.
                    
    __ Sei que não.__ disse Wagner sorrindo.__ Agora preciso desligar, até mais tarde.
                    
    __ Até mais tarde.
                    
    Eliana colocou o telefone no gancho e se sentou no sofá respirando aliviada, era muito bom saber que Wagner não tinha uma amante e que ele estava bem fisicamente. Talvez ela realmente tivesse feito um pouco de tempestade em copo d’água, mas só um pouco, afinal como sua mãe sempre lhe dizia “É melhor prevenir do que remediar.”. Eliana prometeu para si mesma que tentaria ser menos dramática, mas em todo caso, se alguma modelo da Victoria’s Secret se aproximasse de seu namorado ela ia manter os dois olhos bem abertos. Ter um pouco de mulher neurótica dentro de si não faz mal a ninguém.

    P.S.: Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
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