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  • Só Te Peço o Agora


    Jorge era um homem consideravelmente bonito, tinha olhos claros, altura mediana, barba por fazer e um sorriso meio safado com um toque de timidez. Fazia sucesso com as mulheres e suas ex-namoradas não tinham sido conquistas muito difíceis. Todo esse domínio sobre relações amorosas voou pelos ares quando ele conheceu Olívia.

    Ela tinha a pele morena bronzeada pelo sol, cabelos longos, seios fartos e aquele gingado típico da mulher brasileira. Não era dessas que desejam casar, ter muitos filhos e também não acreditava nessa história de príncipe encantado, queria apenas aproveitar tudo que a vida tinha a oferecer da melhor maneira possível.

    Era uma manhã de sábado e um sol escaldante iluminava a praia de Ipanema quando Jorge e Olívia se conheceram. Ele se encantou com o sorriso da morena que tomava banho de mar. Ela se sentiu atraída por aquele corpo todo definido que jogava frescobol na areia. Trocaram olhares, dividiram o guarda-sol e depois de alguns minutos de conversa se beijaram. Jorge convidou Olívia para sair à noite e ela aceitou sem pensar duas vezes.

    Foram a um barzinho num bairro boêmio da cidade, conversaram por muito tempo, o papo fluía naturalmente, sem esforços. Eles até se arriscaram numa tentativa esforçada de sambar, mas digamos que lhes faltava o molejo necessário. Após muitas cervejas e algumas caipirinhas, foram para o apartamento de Jorge. Os beijos eram quentes, as mãos passeavam por todo o corpo e as roupas foram tiradas rapidamente.

    __ O melhor sexo da minha vida.__ disse Jorge enquanto acendia um cigarro.

    Olívia apenas sorriu com a cabeça apoiada em seu peito, ainda estava inerte em seu prazer.

    O casal acabou engatando um romance, Jorge chamava de relacionamento sério, já Olívia preferia não nomear a relação, achava que namoro era uma palavra muito forte e ela odiava se sentir presa a alguém. Um conhecia a família do outro, frequentavam os churrascos e os almoços de domingo.

    Aconteceu que certo dia Olívia ganhou um intercâmbio de um ano no Canadá. Quando soube da notícia Jorge se desesperou, propôs um namoro à distância e prometeu que economizaria todo o seu salário para vê-la sempre que possível. Olívia não aceitou, disse que a experiência era única e que não queria vive-la se sentindo limitada por um homem. “A vida é cheia de surpresas, talvez a gente ainda se encontre por aí.”, foram as últimas palavras que Jorge escutou de Olívia, depois disso os dois nunca mais se falaram.

    Olívia acabou morando no exterior mais tempo que o previsto e Jorge começou um namoro com Márcia, uma prima de sua ex que ele conheceu em um dos churrascos da família.

    Agora, dois anos após a viagem para o Canadá, Jorge estava noivo de Márcia e Olívia com a passagem marcada para voltar ao Brasil. Jorge dizia ter desencanado do namoro há muito tempo e Olívia se dizia feliz por poder acompanhar o casamento da prima.

    ***

    Chegou o grande dia. Márcia planejara um lindo casamento de jardim, do jeito que sempre sonhou. Ela decidiu desfrutar de todas as regalias de um dia de noiva num famoso salão da cidade. Seu noivo preferiu se arrumar em casa, alegou que assim se sentiria mais à vontade.

    Jorge tomou um bom banho, fez a barba e estava sentado numa poltrona calçando os sapatos quando ouviu o barulho da porta do quarto abrindo e depois fechando.

    __ Por favor, não se case com ela.

    Ele se virou e o susto foi inevitável ao avistar Olívia dentro de seu quarto, trajando um lindo vestido azul e lhe fazendo aquele pedido. Jorge se levantou e a observou por um tempo.

    __ Você não sabe o quanto eu sofri, o quanto a saudade me machucou todo esse tempo. Acha que pode chegar aqui e me pedir para abandonar minha noiva à beira do altar?

    __ Posso sim, posso porque tenho certeza de que você não ama a Márcia da mesma maneira que me ama, eu sei que você nunca vai conseguir viver com ela tudo o que pode viver comigo. Eu quero você pra mim Jorge.

    __ Você se foi sem ao menos se preocupar comigo, terminou tudo dizendo que não queria se sentir presa e limitada.

    __ Eu te amo, e hoje o que eu mais quero é me sentir presa a você para o resto da vida.__ os dois permaneceram em silêncio por um instante, os olhos estavam marejados.__ Só me responde uma pergunta, você realmente me esqueceu?

    __ Foi o que eu mais tentei, mas a verdade é que nesses dois anos em que ficamos longe um do outro, nem por um segundo eu deixei de te amar.

    __ Então nós não temos mais nada pra fazer aqui.

    O casal deu um longo beijo, apressado, ansioso, adiado por dois anos. Olharam-se sorrindo e saíram correndo pela casa como duas crianças cheias de felicidade. Foram parar na praia de Ipanema, a mesma onde se conheceram. Cansados acabaram se deitando, as roupas de festa sujas de areia, os olhares meio perdidos naquela imensidão azul.

    __ E agora, o que vamos fazer?__ perguntou Jorge.

    __ Dar muito amor um ao outro e aproveitar esse pôr-do-sol lindo. O resto nós decidimos depois. O que importa é que agora nós estamos juntos, e isso nada nem ninguém pode mudar.

    Os dois se olharam e ainda abraçados se beijaram novamente, embalados pelo mais lindo pôr-do-sol que o Rio de Janeiro já viu.
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