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  • O Esconderijo


    Era o meu décimo quinto aniversário e só os deuses sabem o quanto eu desejei que aquela comemoração não acontecesse. Pedi à mamãe que cancelasse tudo, mas ela não me ouviu. Para mamãe, o povo de Áurea sempre vinha em primeiro lugar. “E você, como princesa e futura rainha, deveria entender minhas escolhas”, ela sempre dizia isso, mas me chantagear com a realeza não surtia muito efeito, na verdade, eu daria tudo para não possuir aquele título de nobreza.

    Áurea era um lugar muito bonito e eu adorava ter nascido ali. O palácio ficava há alguns quilômetros da cidade e era cercado por uma linda floresta. Haviam incontáveis árvores e flores, e os seres mágicos caminhavam livremente por toda parte. Meus preferidos sempre foram as fadas e unicórnios, talvez por isso papai tenha me dado Lumus de presente quando fiz treze anos. Ele era lindo, seu pelo era branco e sedoso, e seu chifre torcido se erguia uns vinte centímetros acima da cabeça. Lumus sempre me acompanhava e era o único que conhecia meu esconderijo secreto.
                   
     Descobri a gruta quando tinha oito anos, numa das minhas andanças pela floresta. O lugar era incrível, as paredes de pedra eram cobertas por uma vegetação verde escura e uma pequena cachoeira caída ao fundo. Ela ficava no fim do rio que cruzava o terreno do palácio, a entrada era cercada por árvores e isso me ajudava a permanecer oculta, mesmo quando meus pais ou algum guarda insistiam em me procurar na floresta.
                    
    No primeiro descuido de minha mãe, aproveitei a oportunidade e fugi para a gruta montada em Lumus. Como era de costume, um grande ato público foi organizado para a comemoração de meus quinze anos, a família real e todo o povo de Áurea estariam presentes, mas eu não via sentido algum em toda aquela festa. Milhares de pessoas me paparicando motivadas apenas pelo fato de eu ser sua princesa, a grande maioria nem me conhecia, isso não parecia justo. Da mesma maneira que era injusto que a hereditariedade determinasse os governantes do reino. Esse direito deveria pertencer ao povo.
                   
    Eu amo minha família e amo minha terra natal, mas as obrigações de princesa pesam sobre minhas costas e este é um fardo que não desejo carregar pelo resto de minha vida. Não acredito que meu único propósito seja servir o povo de Àurea. Meu maior desejo é ser livre para explorar o desconhecido que existe além das fronteiras de meu palácio, pois em meu coração sinto que algo muito maior me aguarda lá fora. Talvez um dia eu largue tudo para ir de encontro ao meu destino, mas por enquanto preciso me contentar com a minha pequena coragem que só me permite ficar escondida nessa gruta até que todos desistam dessa maldita comemoração.
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    2 ♥

    1. Lindo texto,me fez querer voltar o tempo quando eu era criança, e sonhava em ser uma princesa.
      porqueestrelas.blogspot.com.br

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      1. Acho que eu sonho em ser princesa até hoje Maria rs'

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