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    Minha respiração estava ofegante e eu sentia tanto frio na barriga que era como se a Antártida inteira tivesse se mudado para o meu estômago. Eu não estava fazendo nada errado, não é como se eu estivesse cometendo um crime ou algo do tipo. É claro que eu estava infringindo uma lei do Conselho Mundial de Magia, mas eu precisava fazer aquilo.

    Primeiro vou me apresentar, meu nome é Vitória Baldini e eu sou uma bruxa. Tecnicamente eu só posso me intitular assim quando estudar durante um ano na Escola de Formação Para Bruxos e Bruxas, mas a magia está nas minhas veias então ser ou não ser chamada dessa forma é mais uma questão de diploma. No momento, eu era apenas uma garota prestes a praticar seu primeiro feitiço. Eu ia voltar no tempo para mudar o passado.

    Lembro-me bem daquele dia. Era sábado, e eu estava argumentando com meus pais para ir ao aniversário de uma amiga. Para ser mais sincera eu estava era dando birra mesmo, poderia até ter sido coroada como a rainha do drama! Meus pais disseram que tinham uma reunião importante no trabalho (ambos eram professores na Escola de Formação) e que era perigoso dirigir com aquele temporal desabando dos céus, mas eu consegui convencê-los a fazer o que eu queria e ao anoitecer nós estávamos indo para a festa.

    No caminho uma árvore caiu na estrada e quando meu pai tentou desviar, o carro capotou. Fiquei em coma durante um mês e meus pais morreram na hora. Desde então ninguém me tira da cabeça a ideia de que fui culpada pela morte deles. Se eu não tivesse insistido para ir àquela festa o acidente não teria acontecido. Mas eu tinha a chance de mudar o meu passado, e eu faria isso.

    Me ad praeteritum, três palavras e eu estava no meu antigo quarto, seis anos atrás. Logo vi o copo de achocolatado que eu tomaria dali a alguns minutos, peguei a poção do sono que roubara do armário de minha tia e misturei o líquido ao copo. Aquela era a única maneira de evitar o que aconteceu naquela noite.

    Ad praesens, mais duas palavras e eu voltei. Olhei ao meu redor e estranhei, eu estava na casa da minha tia e tudo parecia igual. Será que eu tinha feito alguma coisa errada?

    Procurei tia Cristina e ao conversamos consegui as informações de que precisava. Na mesma noite quando meus pais perceberam que eu dormira, me deixaram em casa com uma babá e foram para a reunião na Escola de Formação, então sofreram o acidente. A mesma árvore caiu na estrada e os dois morreram antes de o socorro chegar. A única diferença era que dessa vez eu não estava presente. 

    A princípio eu fiquei arrasada, mas um tempo depois tudo fez sentido. Cabe apenas a nós aproveitar a vida da melhor maneira possível. As coisas acontecem exatamente da maneira que tem que acontecer e deixar de viver o presente por se preocupar com o que deveríamos ou não ter feito no passado, não nos permite aproveitar nenhuma dessas fases plenamente. Quer uma dica dessa bruxinha em formação? Viva o agora e tranque suas lembranças naquele velho baú chamada passado. É lá que elas devem ficar.
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    5 ♥

    1. Bom dia... parabéns, belo texto e vi seu link no 'sem título'!!!
      Lhe desejo um fim de ano de muitos realizações e deixo o link do meu blog com uma mensagem: http://aprendendocuriosamente.blogspot.com.br/
      Grande abraço
      Ivia - Brasília

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      1. Que bom que você gostou Ivia. Obrigado pela visita :)

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