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  • Epifania: A Atração Principal - Parte 1


    A música me rodeou. Havia alegria, havia movimento e havia cor. Risos traziam vida e mulheres em seus vestidos rodados e coloridos traziam a paixão.

    No meio de tantas mulheres, homens, animais e pessoas dos mais diferentes tipos, eu a vi. Seus olhos permaneciam fechados, enquanto girava e dançava, encantando todos que a assistiam e requerendo atenção até mesmos daqueles que não a desejavam. Era a cigana mais linda que eu já vira, com seus cabelos negros como a noite.

    Meus pés se dirigiam até o beco sem nenhum controle do meu corpo. Eu desejava muito mais do que ver a apresentação do circo, eu desejava a minha atração principal. Ciganos e mais ciganos fugiam da perseguição na Europa e vinham para o Brasil com suas apresentações cada vez mais exóticas, afinal, era o século XIX, mas aquela apresentação em especial era deslumbrante.

    Quando a música parou e as palmas também, ela parou junto. Seu sorriso se alargou e seus olhos se abriram. A imensidão de uma noite sem estrelas me engoliu, enquanto ela me olhava. Eu fui medido, pesado e analisado até o último fio de cabelo. Ela piscou e me senti o homem mais feliz daquela noite. Senti-me perder o chão ao vê-la cumprimentar-me com uma reverência.

    Ela deveria ser reverenciada e não eu.

    Seus pés descalços correram beco adentro, enquanto outra apresentação tinha inicio. Mas qualquer outra apresentação da companhia não me importava. Ela era minha atração principal e minha alma dizia que sempre seria.

    Sem poder conter o meu coração que batia sem saber que caminho seguir, também corri. Meus sapatos pisaram em poças e me molharam, mas não me importei. Ela corria como uma criança e parecia viva. Eu também queria me sentir vivo.O beco se fechou a minha frente e toda a esperança que me inundava morreu, como se uma adaga encravasse meu coração. Onde estava ela? Onde estava a mulher que havia feito meu coração disparar?

    — Procurando por mim? — a voz mais melodiosa que eu já ouvira, me fez virar. Parecendo ter certeza que eu a seguiria, ela me esperava junto à parede. Seu vestido vermelho parecia puído e seus pés a mostra pareciam ter percorrido o mundo. Era a mulher mais linda que eu já vira.

    Seus lábios pintados de um vermelho tão vivo quanto o do vestido, se abriram em um sorriso, quando fui incapaz de responder sua pergunta.

    — Gostou do número? — ela insistiu como se fosse particularmente divertido me ver perdido por cada palavra sua. Ela riu. — Nunca pensei que o meu número de ilusionismo fosse tão bom.

    — Pareceu-me um número de hipnose. — observei seus olhos brilharem à medida que cada palavra minha chegava aos seus ouvidos. — Estou hipnotizado.

    — Nunca viu uma cigana? — ela perguntou sorrindo e girando, fazendo com que cada parte do seu vestido se armasse e a deixasse ainda mais bela. Era meu número particular.

    — Não uma tão bela. — falei me sentindo um adolescente, como há alguns anos não era. Sua risada que enchia meus ouvidos me dava vida. Por mais ciganas que eu via na rua, definitivamente, nenhuma era como ela.

    — Ciganas são hipnóticas. — cada palavra sua era um passo em minha direção — Alguns dizem que fomos criadas para afastar de Deus seus homens. — suas mãos tocaram meus ombros e me vi arrepiar — Para levá-los à paixão. — ela sussurrou em um ouvido. — Levá-los à loucura. — ela sussurrou no outro, me fazendo fechar os olhos. Lembrava-me de cada palavra de meu pai, de como um homem devia se comportar perante cada tipo de mulher, mas lembrava-me também das palavras de minha mãe, de como deveria ser com a mulher que eu pretendia amar para sempre.


    Ficou curioso para saber como termina essa história? A segunda parte vai ao ar na próxima quinta-feira. Aguardem^^



    Laury Alves é aquariana, chata, tem 19 anos e é completamente perturbada. Apaixonada por livros, séries e filmes. Que quer um dia ter a biblioteca da Fera. Se você quiser ler textos, ótimas resenhas e notícias do mundo literário é só acessar o blog da Laury, o Maníaca por Livros.

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