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  • Pequenas palavras, grandes perdas.


    Eu estava sentada em um dos muitos bancos daquele parque, sozinha, observando duas crianças brincarem na areia enquanto meu coração batia acelerado dentro do peito. Roía minha última unha quando vi o Carlos se aproximar e o encarei com um misto de desespero e alegria no olhar. Ele trazia a resposta pela qual esperei durante aqueles que pareceram ser os dois dias mais longos de toda a minha vida.

    — Oi Ana, como você está? — ele perguntou e eu pude enxergar um pouco de pena no fundo daqueles olhos azuis.

    — Ansiosa. O que o Renato disse? — eu respondi ríspida e impaciente.

    — Ele não disse nada. Só me mandou te dar este bilhete. — ele disse enquanto me entregava um pequeno pedaço de papel dobrado ao meio. Segurei o bilhete e respirei fundo antes de abri-lo. As palavras escritas ali podiam mudar o ruma da minha vida, e eu tinha medo do que iria ler.


    Eu não te amo.

    ...Sinto muito
       

    Naquele momento o meu mundo escureceu e lágrimas brotaram dos meus olhos antes que eu pudesse contê-las. Eu sabia, na verdade eu sempre soube que ouviria algo do tipo, mas esse meu coração sonhador fez com que eu tivesse esperanças até o último momento.

    — Eu acho que vou te deixar sozinha. — Carlos disse parecendo nervoso. Alguns homens não sabem o que fazer quando veem uma mulher chorar.

    — Espere um minuto, eu preciso responder.

    Carlos se sentou ao meu lado novamente. Peguei um caderno e uma caneta que estavam em minha bolsa e comecei a escrever.

    “Eu preferia ter essa conversa pessoalmente, mas ao que parece você não deseja mais me ver e eu respeito a sua posição. Já li o seu bilhete, e por mais que ele tenha sido completamente previsível eu confesso que ainda tinha esperanças de ouvir algo diferente.

    Você não me ama mais e eu sei que sou a única culpada disso. Fiz as escolhas erradas, me comportei como uma criança e desperdicei uma oportunidade maravilhosa de estar ao seu lado. Eu te afastei de mim e tentei te excluir da minha vida porque eu achava que isso ia fazer com que eu me sentisse bem. Eu acreditava que se você estivesse longe dos meus olhos esse sentimento ficaria cada vez mais distante do meu coração. Só agora eu sei o quanto estava equivocada.

    Seu bilhete me fez sofrer tanto e eu só queria que isso fosse suficiente para eu te esquecer. Queria que essa tristeza fosse grande o bastante para acabar com esse amor que ainda existe dentro de mim. Eu queria conseguir ser indiferente a você.

    Só quero que você saiba que independente das prioridades que você tem agora e das outras mulheres que passarão pela sua vida, você é o único homem para mim. E no dia que você decidir ser meu novamente eu estarei aqui te esperando, de braços abertos, com todo o meu amor.”

    Dobrei a folha duas vezes, entreguei ao Carlos e fui embora do parque. Eu me sentia vazia por dentro, como se aquele pequeno bilhete tivesse arrancado uma parte enorme de mim.
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