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  • Manifesto de Desistência do Amor


    Eu, por livre e espontânea vontade, alegando total integridade física e mental, venho por meio deste declarar a minha desistência do sentimento denominado amor. Prometo não infringir as cláusulas citadas neste manifesto sob nenhuma circunstância, nem mesmo quando os níveis de álcool em meu sangue superarem os limites aceitáveis e o meu organismo se tornar um ambiente propicio à recaídas amorosas.
                   
    Abro mão dos almoços de domingo e de todos os prejuízos que eles traziam consigo. As piadas sem graça dos tios; as cantadas fajutas dos primos; e os pratos exóticos da sogra, que nós sempre provamos para não criar inimizade e danificar ainda mais essa relação que mais parece um campo minado.
                   
    Desisto também dos beijos apaixonados, das mensagens de amor recebidas na madrugada e dos cafunés em noites de inverno. Prometo nunca permitir que a carência ou o amor que ainda existe em mim me levem a tomar atitudes das quais eu me arrependerei posteriormente. Regra primordial deste manifesto: O prazer momentâneo nunca deve ser sua prioridade. A felicidade duradoura, sim.
                   
    Abstenho-me do direito de estar sempre acompanhada e de me sentir amada. Garanto que aplicarei todos os meus esforços na tentativa de nunca mais me apaixonar. Se não tiver forças suficientes para evitar o sentimento em questão, me comprometo a não me envolver com qualquer que seja a pessoa alvo do meu amor. Regra número dois: Você não pode mudar seus sentimentos, mas consegue controla-los.               

    Tenho conhecimento de que os motivos para se escolher o amor são infinitamente maiores e melhores, entretanto, não tenho a intenção de me arriscar nessa viagem que possui grandes chances de não terminar com um final feliz. Alguns me classificarão como covarde, entretanto eu prefiro dizer cautelosa. É como diz aquele velho ditado “Quanto mais alto se sobe, maior o tombo.”, e no momento, prefiro não cair. Entre cabeça nas nuvens e pés no chão, é sempre mais sensato escolher a segunda opção.



    P.S.: A imagem que ilustra o post é de autoria da mexicana Ilse Valfré.
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    6 ♥

    1. Também amei a ilustração. Foi super a ver com o texto.
      E olha, eu acho que estou nessa mesma onda de desistir do amor. Pelo sentimento de preservação mesmo. De pés no chão - é a opção que eu sempre escolho. Amei o texto, ficou muito bem escrito ;)

      Um beijo
      www.naotenhopressa.com

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      1. É uma questão de preservação mesmo. Quando quer o amor pode ser bem destrutivo...

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    2. Olá!
      Conheci seu blog a pouco tempo, mas já estou amando seus textos(inclusive esse)!
      O desenho é da ilustradora mexicana ILSE VALFRÉ. Aqui está o link do site dela: valfre.com

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      1. Obrigada Carolina, as outras ilustrações dela também são muito amor *---*

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    3. Uau, que texto! Você andou conversando comigo e eu não sei? Porque é justamente isso que eu estou passando/sentindo sei lá.

      Enfim, parabéns pelo texto. Amei seu blog e a ilustração é da Valfré, ela é incrível!

      Beijão, Érica
      http://www.conversasemilkshakes.blogspot.com.br/

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      1. É tão bom quando uma leitora se identifica assim^^

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