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  • Solteira sim, à procura não.


    Excluindo os sinais físicos que qualquer um consegue notar, acho que uma das tarefas mais difíceis na vida de uma garota é notar em que momento específico ela deixou de ser uma menina para se tornar uma mulher (ou quase isso). Será que isso acontece quando as bonecas são trocadas pelos produtos de beleza? Ou talvez naquele sábado em que dormir até mais tarde pareceu mais importante do que acordar bem cedinho só pra assistir desenhos na TV... Eu, particularmente, acredito que uma das áreas mais fáceis de notar essa mudança é a vida amorosa, quando nós começamos a olhar para os garotos com um brilho diferente no olhar, mesmo sem saber ao certo o que isso significa.

    Eu me lembro da minha primeira paixonite, era um garoto da minha sala, eu escrevi nossos nomes dentro de dois corações na última página do meu caderno, mas ele parecia não notar a minha existência. Bem clichê né? Me lembro também de passar as tardes atormentando a minha mãe enquanto perguntava com quantos anos ela me daria permissão para namorar. Eu não tinha nenhum candidato em mente, mas estar em um relacionamento parecia ser uma das coisas mais legais que uma adolescente podia fazer. Sempre tive uma visão bem “romantizada” da vida como um todo, e a realidade passava bem longe dos meus devaneios amorosos.

    Lá pelos meus dezessete anos começaram a surgir as perguntas sobre namoro. Eu que ainda nem tinha dado o meu primeiro beijo, respondia envergonhada que não tinha namorado e que só pensava no vestibular (acho que essa foi uma das mentiras que eu mais repeti na vida). Todos me elogiavam muito, diziam que eu estava certa e que os estudos deviam mesmo vir em primeiro lugar. Minha mãe adorava ouvir esses comentários, ficava toda orgulhosa, e parte de mim também gostava de ouvir aquilo, era como se alguém me dissesse que não tinha nada de errado comigo, que não ter namorado era o certo e eu não precisava me preocupar com aquilo naquele momento.

    Mas eis que em outubro do ano passado eu completei vinte anos (ainda me assusto quando vejo que agora o dois é o primeiro algarismo) e os comentários sobre a minha vida amorosa mudaram completamente. As pessoas tentam mascarar as críticas com palavras doces, mas eu lhes digo que já ouvi muita coisa engraçada, pelo menos para mim. Minha avó disse que eu devia me casar logo porque ela queria ter a oportunidade de conhecer seus bisnetos, uma tia me disse que era pra eu tomar cuidado para não virar “beata” e um conhecido da família, após algumas doses de álcool, repetiu uma quantidade considerável de vezes que era muito estranho uma garota da minha idade ainda estar solteira. O que aconteceu? Onde eu estava quando a qualidade virou defeito? Para o mundo lá fora eu me tornei uma solteirona e ninguém me avisou sobre o meu novo status.

    Caramba, será que é tão complicado assim para as pessoas compreenderem que eu só tenho vinte anos? A vida adulta começou ontem, ainda estou tentando me encontrar, descobrir o que quero para mim e para o meu futuro, e não precisa ser para sempre como todo mundo pensa, a vida se transforma o tempo todo, nós mudamos o tempo todo e as nossas escolhas não precisam ser definitivas. A gente nunca se conhece por completo e eu acredito que essa possibilidade de sempre descobrir algo novo é o que nos move. E se eu não quiser manter um relacionamento? Qual o problema? Sei que pra muita gente é difícil entender, mas uma mulher não precisa necessariamente de um marido e uma família cheia de filhos para se sentir realizada. Cada ser humano sente prazer em algo diferente, e nós temos que respeitar a felicidade dos outros da mesma maneira que queremos que respeitem a nossa. Sou uma romântica incurável e sei que provavelmente um dia ainda vou me enfiar em um namoro desses bem caretas, mas como uma grande amiga minha sempre me diz “deixe as coisas acontecerem naturalmente”. Se alguém discorda de tudo que eu disse que guarde as neuras só pra si e me deixe aqui quietinha no meu canto. Alguns podem até achar que meu tempo está acabando, mas eu prefiro acreditar que ainda tenho a vida inteira pela frente.
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    9 ♥

    1. Adorei o texto e o Blog! Eu acho que sou muito madura para minha idade, eu não fui a garota de te paixonites na infância, mais agora eu nem penso em namorar nem agora nem para frente, eu estou bastante focada no que eu quero pra mim.Eu acho que você esta completamente certa,não liga pra que os outros pensam,você vai estar pronta para namorar, quando você se sentir bem e quando você tiver suas escolhas, tiver tudo em mente, e quando achar a pessoa certa.
      Visite:http://mariliaalmeida03.blogspot.com.br/

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    2. O mundo anseia por amor, faz cada partícula de oxigênio refletir corações, faz filmes, vende musica, tudo por um pedacinho de romance. E quando alguém se mostra desinteressada (nem tanto, vai) vira um anormal, um aspirante a deprimido. Concordo com cada linha do seu raciocínio Vans (desculpa te chamar assim, não resisto a botar apelidos nas pessoas). E faço um adeno: eu quero amor, eu quero sossego, eu quero uma carreira, e quero diversão, mas não precisa ser tudo de uma vez, e não precisa ser nessa ordem. (desculpa também por tantos parenteses, é uma mania infame que eu tenho, ah! me sinto amiga já, escritoras são uma corja que se entendem, e se entrelaçam fácil, é serio.)

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      1. Débora simplesmente sendo diva aqui nos comentários, só amor por tudo que você disse ><

        P.S.: tenho amado cada vez mais essa corja haha'

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    3. Que lindo.. Concordo com cada parte, cada vírgula.

      Este texto realmente é para todas as mulheres que estão solteiras sem necessidade de ter um homem por perto, só ela se basta
      Adorei

      http://saidolivro.blogspot.com.br/

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      1. Fico feliz por você ter se identificado Natalia^^

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    4. esse texto parece que foi escrito pra mim, exatamente como me sinto, tenho 18 anos e nunca namorei e ainda nei penso nisso, tenho uma vida maravilhoso pela vente e nao peciso de um garoto pra completala. sou super feliz desse jeito. bjus adorei a cronica

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