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  • Sobre as solitárias tardes de domingo



    É domingo à tarde e ela está sozinha em casa, o que, por sinal, não é uma grande surpresa já que isso tem se tornado rotina em sua vida nos últimos meses. Ela olha sua lista de contatos e até pensa em mandar uma mensagem pra essa ou aquela amiga, mas acaba desistindo, pois sabe que no seu mundo poucos são tão solitários quanto ela. Caramba, é domingo! Pessoas de verdade estão por aí matando a saudade do namorado, curtindo os melhores amigos ou só procrastinando em casa com a família, lamentando que no outro dia já seja segunda-feira. Mas ela está sozinha, e a única coisa pela qual lamenta é a certeza de que permanecerá assim por um bom tempo.

    Não, ela não tem um namorado, e volta e meia se olha no espelho e pergunta para si mesma o porquê disso. Talvez sejam os muitos quilos a mais, ou cabelo cacheado que ela nunca consegue domar. Ela só sabe que ao olhar aquele reflexo, não consegue enxergar nenhum fator relevante que possa fazer uma pessoa se apaixonar. Sua mãe dizia que tudo era uma questão de tempo, mas ela já estava cansada de esperar e de confiar que num belo dia o destino bateria à sua porta. A verdade é que ela nem acreditava mais no destino, ou em qualquer outro tipo de influência do universo sobre as nossas vidas. Já começava a pensar que nós fomos criados e soltos no mundo, no melhor estilo “cada um por isso” e que se você não consegue conquistar a sua felicidade sozinho o problema é todo seu.

    Alguns lhe diziam que isso de estar solteira não tinha nenhuma relação com a aparência e que talvez alguém só apareceria quando ela parasse de procurar. Essas são duas das maiores hipocrisias que as garotas escutam. Sim, existem muitas pessoas que não ligam pra aparência, que tem a capacidade de se apaixonar pelo interior de uma mulher, mas quantas dessas pessoas tem “paciência” pra tentar se apaixonar pela personalidade de uma garota? O belo é extremamente atrativo aos olhos, e a verdade é que é mais fácil sentir vontade de tentar algo com a garota bonitinha do que sair por aí de mãos dadas com aquela que tem alguns pneuzinhos saindo pelo cós do jeans.

    Não, ela também não tem amigos. Uma vez ela pensou que os tinha, mas logo eles foram embora. Outra vez ela teve certeza que os tinha, mas eles a deixaram quando encontraram algo melhor para fazer. Talvez ela não fosse nada além de um prêmio de consolação. Algo que um dia será entregue a alguém sem muita pompa e cerimônia. Entregue a alguém que, como ela, tentou arduamente ser feliz, mas não conseguiu, e então precisou se contentar com algo que apesar de não ser o ideal, ainda era melhor do que a opção ficar sozinho.

    Não pense que ela está tentando ser amarga ou até mesmo cruel. Saiba que se estivesse ao seu alcance, ela faria tudo para que nenhuma garota nunca mais tivesse que se sentir assim. Isso só foi um desabafo sobre um sentimento que estava destruindo o coração aos pouquinhos por passar muito tempo guardado dentro do peito. Ela só está cansada de tanta tristeza, tanta hipocrisia, e mais do que qualquer outra coisa, está cansada de não ter ninguém com quem conversar sobre tudo isso nessas solitárias tardes de domingo.


     Texto postado originalmente no blog Uma Dose de Café em 05/12/2014.
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