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  • Sobre neurose, paranoia e solteirice.


    Sou meio neurótia quando o assunto é minha vida amorosa. Geralmente não consigo manter aquela pose de mulher independente que não mergulha de cabeça em qualquer relacionamento e gosta de gritar aos quatro ventos que é possível ser feliz sozinha. Faço mais aquele tipo que não curte estar solteira, que trocaria fácil uma balada no sábado à noite pela combinação filme+frio+cafuné e que sai de casa todos os dias imaginando “Será que hoje vou conhecer o amor da minha vida?”.

    Há algum tempo terminei um dos relacionamentos mais longos e mais intensos que vivi, e por mais que já tivesse ouvido vários relatos sobre fins de namoro, não fazia ideia do quanto seria difícil passar por isso. Falando assim pode até parecer brincadeira, mas a verdade é que a gente realmente esquece como é ser solteira. Nos acostumamos com uma certa rotina e de um dia para o outro ela se torna algo completamente diferente. Eu não sabia mais ir ao cinema sozinha (algo que antes era um dos meus programas preferidos), não sabia o que fazer com todo o tempo livre que agora me sobrava nos fins de semana e achava a coisa mais estranha do mundo não ter alguém para compartilhar até os detalhes mais insignificantes do meu dia.

    Cheguei à conclusão de que não servia para ser solteira e nesse momento eu plantei em minha mente a paranoia de que precisava conseguir um novo namorado o mais rápido possível. A partir desse dia eu literalmente não tive mais paz. Ficava procurando aliança nas mãos de cada possível pretendente que encontrava passeando pela rua, querendo ressuscitar antigos amores que já estavam mortos e enterrados no passado (e que, por sinal, deveriam continuar lá) e tentava a todo custo encontrar sentimentos nas pessoas mais improváveis e absurdas. A pior parte era a frustração que vinha depois de cada tentativa má sucedida. Essa espécie de busca era exaustiva e eu fiquei tão cega que não era capaz de perceber o quanto me fazia mal associar minha felicidade a uma outra pessoa.

    Apesar de todos os conselhos que ouvi, demorei um tempo para admitir que tudo isso era loucura. Para perceber que não tem sentido nenhum me focar na busca por um namorado e acreditar com tanta convicção que quando isso acontecer me tornarei, obrigatoriamente, uma pessoa mais feliz. Até porque eu poderia conseguir um namorado e depois acabar percebendo que nosso relacionamento é uma droga. Ou poderia ficar esbanjando alegria por ter alguém ao meu lado, mas correr o risco de perder todos esses sentimentos bons se o namoro acabasse. E aí voltaria toda aquela paranoia da garota que não sabe ser solteira.

    Acabei descobrindo sozinha que essa tão sonhada felicidade era algo que eu precisava encontrar dentro de mim antes de pensar em me relacionar com outras pessoas. Percebi que, mais importante do que aprender a ser solteira, eu precisava aprender a ser feliz sozinha. Era necessário que eu me amasse um pouco mais e acabasse com qualquer tipo de vulnerabilidade emocional que poderia existir dentro do meu coração antes de deixar as portas dele abertas para quem quisesse entrar. Porque a verdade é que eu até posso precisar de uma outra pessoa para me fazer transbordar, mas definitivamente não preciso de um outro alguém para fazer com que eu me sinta completa.


     Texto postado originalmente no blog Uma Dose de Café em 04/09/2014.
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