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  • Aquela Saudade



    Nunca usei cem por cento da realidade quando precisava escrever sobre os amores que já vivi, ou melhor, que já senti. Poetizar os fatos deixava tudo mais bonito e me deixava mais segura diante daquele medo imenso de afugentar as pessoas com a intensidade dos meus sentimentos. Sempre acrescentei um ou outro detalhe que tornava a história mais interessante de se ler e menos assustadora para quem era a inspiração dos parágrafos. É libertador escrever sobre o que sinto (e sinto muito, isso posso te assegurar) e é maravilhoso o carinho que um elogio é capaz de fazer no ego, mas contar para uma pessoa que você escreveu algo sobre/para ela é, de certa forma, assumir um risco.

    Assumi esse risco quando escrevi meu primeiro texto sobre você. Quando cliquei no enter para enviar aquele e-mail eu estava tão nervosa que meu coração quase saiu pela boca e foi embora anexado junto com o arquivo do Word. Não era a primeira vez que eu escrevia para alguém, mas me inspirar em você era diferente. Na verdade tudo que envolve você é diferente, sempre foi, e ainda não consegui entender o que isso significa. Nessa primeira vez não precisei poetizar muita coisa, mudar a realidade, ter você como inspiração era mais do que suficiente para fazer aquele texto ser bonito. Bastava lembrar da beleza desse teu sorriso para os parágrafos irem saindo quase perfeitos, sem muito esforço.

    Preciso confessar que quando encerrei aquela enxurrada de palavras falando sobre tudo que você me acrescentou desde que chegou à minha vida, não estava sendo totalmente sincera porque a edição me fez excluir muita coisa desse tudo. Você merecia ouvir a versão sem cortes, mas meu medo de te assustar era maior que a vontade de te dar acesso a essas informações. Porque a verdade é que naquele momento (e até os dias de hoje) eu nunca sei como agir quando o assunto é você porque nada que eu já senti se assemelha ao que eu sinto por você. Não estou julgando os sentimentos como maiores ou menores, mas a gente sente quando tem algo diferente rolando dentro de nós.

    Talvez eu estivesse certa ao me censurar assim, e talvez eu nem devesse estar escrevendo esse texto agora, mas tenho essa mania de não conseguir conter as inquietações que surgem dentro de mim, e de uns tempos pra cá tenho tentado ser mais fiel aos meus impulsos iniciais. Eu até tinha esperança de te conhecer e perceber que você não era nada daquilo que eu imaginava e então me decepcionar e desapegar de vez, mas não deu porque você é exatamente como eu imaginava. Te ver só me trouxe a confirmação de que eu já te conhecia mesmo quando nunca tínhamos nos encontrado.

    O pontapé inicial desse texto foi uma das muitas músicas maravilhosas que eu conheci graças a você, porque como (quase) diz o título dela, “bateu aquela saudade”. Bateu forte, e precisei recorrer à letra dessa canção quando quis me aconselhar dizendo “Não tem medo não, vocês ficam longe, mas voltam a namorar se encontrar depois”. E recorrer uma última vez a essas palavras que me pareceram tão ideais para encerrar esse texto e te dizer que tem só um dia desde a última vez que a gente se viu, mas que a saudade aqui já tá apertada.



    “Olha bem, mulher

    Eu vou te ser sincero

    Eu tô com uma vontade danada

    de te entregar todos beijos que eu não te dei

    E eu tô com uma saudade apertada...”

    Quando bate aquela saudade - Rubel

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