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    Cheguei em casa tarde, delineador meio borrado no rosto, gosto de cigarro e bebida na boca... Tinha saído com uma amiga para tomar umas cervejas, nós duas procurávamos consolo para a frustração de nossas vidas amorosas naquela mesa de bar e por mais que aquelas conversas leves e descomplicadas me distraíssem por alguns minutos, meu pensamento insistia em voltar pra você. Você adoraria o fato de que os garçons estavam nos dando sua cerveja preferida como brinde, se juntaria ao nosso coro desafinado que insistia em acompanhar a banda quando essa tocava nossas canções preferidas e ganharia meu riso fácil sempre que eu me lembrasse do quanto estava feliz por você estar ali comigo. Te olharia e ficaria me perguntando se naquele lugar você finalmente teria se encontrado e deixado de se sentir tão deslocada. Queria que você se sentisse em casa ao meu lado.

    Me esparramei no colchão sem nem mudar a roupa e fitei as rachaduras do meu teto enquanto me perguntava o quão idiota eu era por estar imaginando você deitada numa cama improvisada bem perto da minha. E o quão idiota eu poderia parecer se te procurasse de novo. Nunca soube como agir diante dessa sua mania de sumir quando eu acho que a conversa vai durar até altas horas da madrugada e aparecer quanto estou prestes a desistir de você. Não que seu amor tenha me pertencido algum dia, quem me dera, mas no fundo a gente sabe que quando as esperanças de que algo dê certo se esgotam totalmente, não resta mais nada. De certa forma isso também é desistir de alguém.

    Às vezes fico procurando significados e explicações pra essa sua mania. Fico pensando que talvez você me ache meio chata e revire os olhos quando vê na tela do seu celular uma notificação com meu nome. Que talvez você tenha se cansado desses meus papos meio sem graça, dessas conversas meio clichês que eu nem sei conduzir direito depois que passamos do “Oi, tudo bem?”. Pode ser também que eu não seja capaz de te proporcionar as melhores conversas ou não seja a melhor das companhias, mas isso é algo que não dá pra mudar porque não sou aquele tipo de pessoa que fica fazendo mil malabarismos só pra agradar e chamar a atenção. Tentei entrar na sua vida sendo eu mesma, nada mais que isso, e fiquei do lado de cá cruzando os dedos, torcendo pra você gostar assim.

    Sei que você não tem noção do bem que me faz mesmo estando a quase 60km de distância, e isso me faz ter vontade de te contar as coisas mais simples do dia a dia, como o sorriso bobo que eu dei com a mensagem que você me enviou enquanto escrevia esse texto, ou como o meu coração se alegrou com a música linda que você me mostrou semana passada. Já desabafei com você coisas que não tive coragem de contar para mais ninguém, e só o fato de você dizer que queria estar aqui pra me dar um abraço, fez com que eu me sentisse melhor. Às vezes sinto que você não tem noção da pessoa incrível que é, e espero que esses parágrafos (que por sinal nem ficaram tão bons assim) te convençam disso, nem que seja só um pouquinho.

    Esse texto começou como uma mensagem escrita para você, ainda naquela noite, depois que cheguei do bar. Uma mensagem que, por falta de coragem, não foi enviada e então ficou aqui, presa nos rascunhos do meu celular, gritando todos os dias que precisava chegar até você. Escolhi atender esse pedido porque sentimentos assim são bonitos demais para ficarem escondidos no fundo do peito, e acredito que não há maneira melhor de eternizá-los se não através das palavras. Só quero que ao chegar até você, essas palavras te encontrem esperando por elas de braços abertos, ou melhor, de coração aberto. Que você as receba com carinho e que elas sejam capazes de te devolver ao menos um pequena parte de tudo de bom que você já me acrescentou desde que chegou à minha vida.


    Ah, se eu pudesse eu iria te buscar
    Seja em São Paulo, seja em qualquer lugar
    Nas "medianeras" do seu quarto, eu iria procurar
    Algo listrado pra vestir, só pra você me encontrar
    Sorte – ANA


     Texto postado originalmente no blog Uma Dose de Café em 12/09/2015.

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