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  • Gorda sim, e daí?



    Nunca fui a garota que conseguia se enxergar nos manequins das lojas de departamento. Na verdade a moda sempre foi uma verdadeira tirana com as garotas gordas. Às vezes ela brinca de parecer acessível, mas o que fazer quando você só encontra no seu tamanho as camisetas simples e aqueles jeans horríveis? O que fazer quando você experimenta aquela cropped linda que está na moda, mas a vendedora te olha torto e logo em seguida te oferece um vestido de mangas longas e saia que vai até os joelhos?

    Durante a adolescência eu adorava ler aquelas revistas feitas para o público adolescente, mas nunca consegui me imaginar em suas páginas. A gorda nunca era a garota da capa, a modelo principal dos editoriais de moda ou o rosto dos tutoriais de maquiagem. Quando as publicações decidiam que era uma boa ideia dar visibilidade a essa parte do público feminino, nós (mulheres gordas) éramos confinadas a algumas páginas que falavam sobre moda plus size e devíamos nos contentar com isso. Mostrar mulheres de manequim 40 usando roupas que “disfarçavam” a barriga era o máximo que aquelas revistas podiam fazer por nós.

    Na escola, se você não era magro, com cabelos lisos e pele impecável, você simplesmente não se encaixava. Sendo assim, nunca fui a garota que alguém queria beijar. Sempre havia alguma amiga magra, de cabelos lisos e franja lateral, por quem os garotos se apaixonavam primeiro. E não culpo nenhum deles por isso, todos nós crescemos acreditando que apenas um modelo era belo. Nós éramos apenas adolescentes que não tinham a menor noção do quanto àqueles padrões de beleza eram preconceituosos e cruéis.

    Ser gorda é ter sempre alguém fiscalizando quanta comida você coloca no prato durante os almoços de família e nos restaurantes. É sempre ter alguém te indicando dietas malucas e inibidores de apetite, já pressupondo que seu objetivo naquele momento é emagrecer. É sempre ter alguém fiscalizando sua saúde sem nem mesmo saber quando foi a última vez que você foi ao médico. É sempre ter alguém dizendo o quanto você seria linda se “perdesse uns quilinhos”.

    Mesmo com todos os boicotes da sociedade, me orgulho em dizer que fui salva pelo empoderamento feminino. Hoje consigo olhar o reflexo no espelho e me apaixonar por ele, amar cada uma dessas dobrinhas da barriga. E isso não é desculpa de quem tem preguiça de fazer dieta ou se exercitar, é relato de uma gorda que sabe que é maravilhosa exatamente como é e que não precisa perder tempo se preocupando com padrões de beleza. Na próxima vez em que você encontrar uma garota gorda por aí se lembre desse texto, e em vez de fazer mil recomendações sobre como ela poderia mudar seu corpo, diga o quanto ela é linda. Isso pode não fazer a menor diferença para você, mas com certeza fará para ela.
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