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  • E se der medo?



    Poucas pessoas sabem, mas eu sofro com um problema bem sério de ansiedade. Quando falo sobre isso não estou me referindo àquele friozinho que dá na barriga quando a gente recebe mensagem de uma pessoa especial ou vai a algum desses brinquedos radicais de parque de diversões. Meu caso é mais sério. É um pacote cheio de emoções e sintomas que eu recebo sempre que decido fazer algo que fuja um pouco (ou muito) da minha rotina. É dor no coração, enjoo, mãos suando, e por aí vai... Já perdi as contas de quantos compromissos desmarquei porque ficava ansiosa e então imaginava mil maneiras diferentes de como as coisas poderiam dar errado. O “não tentar” era mais confortável e seguro do que correr o risco de fracassar.

    A ansiedade quase me fez desistir de uma oportunidade mês passado. Recebi uma mensagem dizendo que estavam abertas as inscrições para o trabalho de monitor em uma colônia de férias aqui da minha cidade. Minha primeira reação foi imprimir um currículo para me candidatar à vaga, mas aí minha cabeça virou um turbilhão de pensamentos. Eu já tinha passado por essa seleção uma vez (sem sucesso) e sabia de todas as dificuldades. Eram quase 300 pessoas concorrendo a 24 vagas. Desistir me parecia mais fácil do que tentar e ouvir um não que para mim já era certo.

    Certa vez li uma frase que diz “Vai. E se der medo, vai com medo mesmo.”, decidi seguir esse conselho e fui. Com medo, com insegurança, mas fui. Passei pela entrevista. Fiz o treinamento. Passei pelo treinamento e no fim consegui ficar entre os 24 selecionados. Nesse ponto a ansiedade resolveu me dar uma folguinha e fiquei um pouco mais confiante. Afinal, eu não tinha passado por todo esse processo de seleção por acaso. Se acreditaram que eu era capaz de fazer aquilo, não custava nada eu me dar o mesmo voto de confiança que os organizadores me deram ao me escolherem para aquele emprego.

    Então veio o primeiro dia de trabalho, o segundo, e as coisas simplesmente não se encaixavam. A equipe não estava em sintonia, eu não conseguia me aproximar das crianças e na minha mente que sempre faz questão de imaginar o pior, tudo estava muito perto de se tornar um desastre total. Na terça-feira da primeira semana da colônia, após a reunião que monitores e recreadores sempre faziam no fim dia, eu voltei para casa prendendo com força um choro dentro de mim. Me sentia frustrada por não estar conseguindo realizar o trabalho para o qual fui escolhida e estaria mentindo se dissesse que não pensei em desistir. Naquele dia, antes de dormir, eu repassei na mente o conselho que ouvimos do meu chefe durante a reunião, ele disse que o segredo era que nós nos aproximássemos das crianças. Nós devíamos ser mais do que monitores, devíamos nos tornar amigos. Respirei fundo e prometi que tentaria pelo menos até o fim da semana, nem que fosse para ter certeza de que aquela escolha foi errada.

    No dia seguinte, o trabalho fluiu bem e só melhorou no decorrer dos dias. Cheguei ao fim da colônia ouvindo vários “eu te amo”, “vocês são os melhores monitores” e “nunca vou te esquecer”. Ainda me lembro da garotinha que me abraçou e disse que eu sempre estaria guardada em um pedacinho do seu coração. Há uma frase de Confúcio que diz “Escolha um trabalho que você ame e você nunca terá que trabalhar um dia em sua vida.”, posso dizer que essa colônia de férias não foi trabalho, foi amor, um amor que deixou muita saudade e um aprendizado lindo. Não deixe o medo te impedir de viver as oportunidades que a vida te dá, acredite mais em si mesmo e nunca deixe de acreditar na sua capacidade de fazer as coisas. E por último, mas não menos importante, esteja sempre disposto a ouvir o que as pessoas que estão ao seu redor tem para dizer. Às vezes tudo que a gente precisa é um empurrãozinho para que as situações entrem nos eixos e passem a andar pelo caminho certo.
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